quarta-feira, 29 de junho de 2011

Te amo, não te amo. Amo. Não te amo mais.

O suor, o cheiro, a saudade que gruda nas minhas roupas e não sai mais. As cores desbotadas da parede, e o sol que me engana todo dia me fazendo acreditar que tudo vai mudar. Os lençóis sujos, as janelas fechadas, a porta entreaberta e as meias sem par, que nem eu, mostram que vai tudo ficar na merda.
O desejo não vai passar, a vontade não vai sumir, a dor não vai sanar, e nada no mundo vai me devolver os segundos preciosos que eu gastei chorando tua saudade. Não vê que é pecado?! Tratar tão mal quem lhe quer bem?! E quando termina dá o riso final. Fica com a última palavra e a dignidade intacta. É tão difícil enxergar minha dor? Porque eu sinto! Ah, eu sinto... Ela é palpável como qualquer outra coisa. E está presente todo santo dia, como um fardo que eu carrego por saber amar. E oscilo entre amor e ódio como quem oscila entre sono e tédio. E me desfaço em lágrimas de raiva, pra em minutos chorar de amor. Não consigo entender porque continuo assim, mas continuo. Na esperança de que um dia qualquer você acorde, tome seu café, e enquanto escova seus dentes olhe fundo nos seus olhos e se lembre de mim. Do meu sorriso, do meu cabelo, dos meus olhos, da minha voz... Que inebrie-se,  e jogue água no rosto pra espantar meu fantasma. E que, como eu faço todas as manhãs, sinta uma urgência de mim.
Sinceramente? Eu quero que você morra, que sofra bem mais que eu! Será que ele quer voltar?! Será que ainda vou ter paz?!
Te amo.
Não te amo.
Amo!
Não te amo mais....

quinta-feira, 9 de junho de 2011

- Eu acho que não te amo.
- Hein?
- Eu acho que não te amo!
- Mas, depois de tanto tempo… Você não poderia ter percebido isso antes?
- Poder, poderia… Mas me arrependeria e voltaria pra você. Mesmo sem te amar.
- Acho que cada um tem seu tempo…
- Tempo de quê?
- De descobrir quem ama.
- Ah. E você, me ama?
- Você vai me perguntar isso depois de eu ter ouvido que você não gosta mais de mim?
- É. Então, ama?
- Amo… E nós dois?
- O que tem nós dois?
- Como é que fica?As lembranças, os presentes, as marcas na pele, nas paredes, na alma... Como fica isso tudo?
- A gente apaga. Nada disso importa. O importante é o amor, e o amor morreu.
-  Tem alguma coisa que possa te fazer mudar de ideia?
- Acho que não…
- Nem se eu disser que te amo?
- Mas você já disse.
- Não importa. Digo de novo. Se te fizer ficar…
- Mas eu não posso.
- Porque?
- Eu acho que não te amo.
- Acha?
- É, acho.
- Então você jogaria tudo que vivemos fora por que acha que não me ama mais?
- Eu não estou jogando tudo fora. Jogar tudo fora é esquecer, e eu não vou esquecer só porque não te amo mais.
- Só porque acha que não me ama mais. E quem pára de amar, esquece.
- Esquece?
- Aham. Você vai me esquecer?
- Eu acho que não… Ei, eu acho que ainda te amo.
- Acha?
- Acho.
- Então… vai ficar?
- Vou.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Eu olhava pros bobos da TV e me ria sozinha. Gargalhava da empregada, quando deslizava sonhadora pelo corredor, cantando bobeiras de amor e de paixão. O amor sempre fora bem vindo, mas nunca parecia ficar por muito tempo. Paixões, casos, beijos, abraços e os passos que sempre me levavam embora. Eu não quis que acontecesse. Aquele frio na barriga, aquela sensação de vazio, aquela dor que a falta fazia, e faz. E me recriminava na frente do espelho.
"Tu! Que juraste nunca entregar seu coração. Que prometeu ser dona do próprio nariz! E agora, mulher?! Que tu vais fazer com tua vida? Agora não é mais dona de si, se vendeu por pouco. Por um abraço numa noite fria, deu teu corpo e alma. Tu! Que se jurou tão independente, tão confiante da tua vontade própria. E agora, mulher? E agora?!"
Mas nem meu próprio reflexo consegue mostrar a vergonha que tenho por me sentir tão vulnerável, tão fraca. Não pertenço a mim mesma, mas a você. Aos teus braços que não querem me abraçar, a tua boca que não me beija, aos teus passos, que não te trazem pra mim.
Sinto inveja, sim. Sinto do segurar das mãos até as juras de amor segredadas debaixo de uma noite cheia de estrelas. Sinto inveja de quem pode te segurar. Sinto inveja de quem te tem enrolado nos dedos, como eu quero ter.
Interprete isso tudo como quiser.
Como uma reclamação de alguém que cansou de sofrer.
Como um término, um ponto final, uma forma de me desprender de você.
Ou até como uma forma de extravazar esses sentimentos confusos e malditos que você me causa.
Mas como seu ego consegue ser maior que você, interprete como uma carta pra você. Um jeito de finalmente soltar; estou apaixonada! É em você que penso a noite antes de dormir, na fila do banco, na rua, nas praças. Que faz me passar papel de boba quando passa. E me tortura a alma sem escrúpulos.
Eu te amo. Imbecil.